
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Marcas de um Escolhido

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
A Mulher do Jardim
Deus o tomou pelas mãos e o conduziu para dentro. Como quem apresenta uma casa nova ao filho, Ele o colocou no Éden — não como quem deposita um objeto, mas como quem introduz alguém num lugar que exige delicadezas. O jardim era outro mundo: águas correndo por caminhos desenhados, árvores escolhidas a dedo, fragrâncias que nunca existiram antes. Ali havia ordem. Ali havia presença.
Adão, que nasceu lá fora, estranhou. Havia beleza demais para quem tinha o pó como lembrança de origem. Mas ele ficou. E aprendeu.
Só então o céu anunciou um silêncio: “Não é bom que o homem esteja só.”
Foi dentro do jardim que essas palavras surgiram, como quem observa a solidão de alguém que já encontrou o que fazer, mas ainda não encontrou com quem viver.
E foi ali — exatamente ali — que a mulher nasceu. Ela não veio da terra bruta. Não brotou das partes ásperas do mundo. Não conheceu o vento sem destino do lado de fora.
A mulher foi formada no jardim. Nasceu já envolvida pela harmonia, tocada pela brisa que conhecia o rosto de Deus, cercada pelo canto dos rios e pela textura de folhas que nunca haviam sido pisadas. Sua primeira memória não é o barro, mas o perfume das flores. Seu primeiro cenário não é a terra a ser desbravada, e sim um lugar que já carregava sentido.
Por isso, talvez, ela tenha herdado algo que o homem não recebeu no instante inaugural. Enquanto ele traz no peito o chamado para cultivar, proteger, organizar — ela traz no olhar a memória do jardim.
O homem aprende o Éden. A mulher o recorda. Ele chega. Ela já está.
Adão olha para ela e reconhece algo que não viu do lado de fora: uma presença que não compete com a terra, mas a completa. Eva carrega o rumor da ordem, o eco da comunhão, a delicadeza que nasce quando se começa a vida dentro do lugar onde Deus passeia ao entardecer.
E assim, os dois se tornam um só movimento: o homem vindo de fora para dentro, a mulher crescendo de dentro para fora, até que ambos aprendem que a criação só se harmoniza quando o pó encontra o jardim e o jardim acolhe o pó.
Talvez seja por isso que, até hoje, a humanidade inteira busca um lugar onde pousar a alma — um espaço que devolva a lembrança perdida do Éden.
Alguns procuram esse lugar cavando a terra. Outros, cuidando dela.
Mas a mulher… a mulher, quando ama, quando acolhe, quando se doa, parece devolver ao mundo um fragmento daquilo que viu primeiro: a paz silenciosa do jardim onde nasceu.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Primeiros e Últimos
O Reino não classifica pela
pressa, não promove pela aparência, não exalta pelo brilho exterior. O Reino se
move por aquilo que amadurece no silêncio — e que o Pai vê antes que qualquer
olhar humano perceba.
Os derradeiros que Ele coloca em
primeiro lugar são os que aprenderam a obedecer antes de serem notados. Os que
continuam servindo quando ninguém agradece. Os que sustentam a fé mesmo quando
o cenário parece indiferente. Deus conhece esses pequenos atos escondidos,
esses gestos que só o céu registra. São os que perseveram sem aplausos. Os que
servem sem plateia. Os que continuam crendo apesar do peso, da demora e do
silêncio. São aqueles que caminham longe dos holofotes, que não disputam
posições, que não se impõem, mas seguem firmes na humildade, na fé e na
constância. O mundo raramente lhes dá lugar; Deus, porém, os reconhece.
Os primeiros que se tornam
derradeiros são aqueles que, acostumados à visibilidade, confundem posição com
propósito. Esquecem que grandeza espiritual não acompanha títulos, e que nenhum
reconhecimento público vale mais do que a fidelidade do coração. São os que
colocam a confiança na própria grandeza, e não no amor de Deus. Aqueles que se
apoiam no que têm, e não naquilo que o Espírito está formando. São os que vivem
do prestígio do agora, sustentados pelo brilho exterior. Confundem vantagem com
merecimento, poder com grandeza, rapidez com profundidade. São os que se
acomodam no topo sem perceber que o Reino não se edifica por alturas humanas.
A inversão de Jesus não é uma
ameaça: é uma promessa. Uma promessa de que, no fim de todas as contas, o que
prevalece é aquilo que realizamos para Ele — e não aquilo que construímos para
aparecer.
“Muitos primeiros serão
derradeiros; e muitos derradeiros serão primeiros.” (Mateus 19:30)
Esse dito — tão simples na forma
e tão vasto no alcance — condensa um dos movimentos mais característicos do
Reino: a inversão silenciosa das hierarquias humanas.
Nele, a ordem aparente do mundo é
colocada de cabeça para baixo. Não se trata apenas de uma lição moral, mas de
uma revelação sobre como Deus enxerga o tempo, a justiça, a dignidade e o
coração.
Há dias em que nos sentimos fora
de lugar, como se caminhássemos sempre atrás, sempre por último. Observamos
outros avançando, sendo reconhecidos, recebendo atenção, enquanto nossas lutas
e fidelidade parecem passar invisíveis. Mas é justamente nessa sensação de
atraso que o Evangelho acende uma luz inesperada: Deus não mede por ordem de
chegada.
Aos olhos do Senhor, há grandeza
escondida nas coisas pequenas, nobreza na simplicidade, força na renúncia
silenciosa. Muitas vezes, aquilo que o céu mais valoriza é justamente aquilo
que ninguém vê.
É por isso que Jesus nos lembra:
o Reino funciona em outra lógica. O que parece atraso pode ser maturação; o que
parece pouco pode ser tudo; o que parece último pode ser o lugar exato que Deus
escolheu para revelar Sua graça.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
O Segundo Gênesis
O Segundo Gênesis não nasce do pó, nem começa com o eco de “Haja luz” lançado sobre o vazio primitivo.
Ele surge quando o mundo, já cansado de suas próprias sombras, escuta um chamado antigo — aquele mesmo que moldou o primeiro jardim, agora retornando como promessa cumprida. Segundo Gênesis não é princípio: é plenitude.
É o instante em que Deus devolve ao universo o que o universo não conseguiu manter.
Imagine um mundo onde o tempo não
fere mais. Onde cada segundo, em vez de avançar como lâmina, repousa como
brisa. Nesse lugar, o calendário é desnecessário, porque não há mais despedidas
a marcar.
O Segundo Gênesis começa
justamente aí: quando a vida deixa de ser provisória. A paisagem é familiar,
mas não conhecida. É jardim — ainda jardim — porém atravessado por ruas que
brilham como se fossem feitas da memória da luz. É cidade — ainda cidade —
porém livre de portas, porque nada precisa ser barrado. E no centro, onde antes
havia medo, agora há um rio que não se esgota. Ele corre sem pressa, como se
encarnasse o próprio descanso de Deus.
No Primeiro Gênesis, a árvore da
vida ficava no meio do jardim, símbolo de um acesso que a desobediência fechou.
No Segundo Gênesis, a mesma
árvore se multiplica nas margens do rio, oferecendo frutos em todas as estações
— doze, para ser mais exato, como se o ano inteiro quisesse se ajoelhar diante
da eternidade. E suas folhas curam o que nenhum século conseguiu curar: o
cansaço ancestral da humanidade.
O Segundo Gênesis também tem um
povo. Mas é um povo sem medo, sem culpa, sem a sensação de que o rosto de Deus
é algo distante demais. Eles veem — com olhos que finalmente aprenderam a ver —
e saber que Deus está ali se torna tão natural quanto respirar.
No Primeiro Gênesis, Deus
passeava ao entardecer. No Segundo, Ele habita.
A sombra da queda não precisa
mais ser confrontada, porque simplesmente não existe. Não há noite; não há
trevas. A luz não depende de astros: brota do próprio Deus, permanente como
verdade.
E, curiosamente, não há templo. Não
porque o sagrado desapareceu, mas porque o mundo inteiro se tornou templo. Deus
e o Cordeiro são o espaço da adoração, e a adoração se tornou a atmosfera da
existência.
O Segundo Gênesis é um Éden
alargado ao tamanho da eternidade. É o primeiro jardim restaurado, curado,
elevado, ampliado. Nada ali é frágil. Nada é passageiro. Nada se perde.
Se o primeiro capítulo da Bíblia
descreve o mundo como deveria ser, o último descreve o mundo como finalmente
será. Entre um e outro, caminhamos — feridos, esperançosos, persistentes — em
direção a esse jardim-cidade que nos devolve tudo.
O Segundo Gênesis é a resposta
final. É o amém de Deus às dores do mundo. É o retorno à casa que nunca deixou
de existir, apenas esperava ser reaberta. E cada vez que a fé respira fundo,
esse jardim acende uma pequena luz dentro de nós, lembrando que a história não
está indo para o fim. Está indo para o recomeço
O Segundo Gênesis não é apenas um
capítulo futuro. É o recomeco que Deus guardou dentro do fim. Chamo de Segundo
Gênesis esse território onde o tempo se curva diante de Deus e, pela primeira
vez desde o Éden, respira sem feridas.
Não é continuação: é desfecho que
floresce. Não é retorno ao princípio: é o princípio amadurecido. Se o Primeiro
Gênesis nasceu da Palavra criadora, o Segundo surge da Palavra cumprida. Não há
mais caos aguardando ordem; há plenitude aguardando ser habitada.
No limiar desse novo mundo,
percebe-se algo na própria atmosfera: uma espécie de claridade firme, não
cortante, que jamais se apaga. É como se a luz tivesse parado de sofrer
oscilações — como se tivesse finalmente encontrado o seu domicílio definitivo.
A cidade aparece diante de quem
chega não como arquitetura, mas como revelação. As paredes não são de pedra:
são de presença. As ruas não refletem o sol: refletem o rosto de Deus, que
agora ilumina tudo sem precisar de astros. A noite, aquela filha velha da
queda, finalmente desaprendeu a existir. O rio da vida corre sem pressa. Corre
como quem conhece o caminho desde antes do tempo.
Dizem que brota do próprio trono,
e a água tem esse brilho íntimo de coisa que nunca tocou o pecado.
A árvore da vida se levanta à sua
margem, oferecendo frutos como quem oferece memória — memória do que fomos
destinados a ser.
É aqui que a humanidade se
reencontra. Não com a inocência do Éden, mas com a maturidade do perdão.
O Segundo Gênesis não devolve
apenas o que foi perdido — amplia, aprofunda, transfigura. No Primeiro, o homem
era imagem. No Segundo, enfim contempla o Rosto que o moldou.
Deus não vem ao entardecer. Ele
está. Sua presença não é visita: é morada. Seu nome não é buscado: é respirado.
E se escutarmos bem, perceberemos que o Segundo Gênesis não precisa de
serpentes expulsas, porque nada ali sugere ameaça. Tudo é chão firme. Tudo é
paz que não precisa explicar-se.
Alguns dizem que esse novo mundo
será como voltar ao lar. Eu prefiro pensar que será como chegar, pela primeira
vez, ao lugar que nossa alma sempre pressentiu mas nunca encontrou em pleno
dia.
A história, enfim, termina onde
sempre quis começar: num espaço onde Deus e humanidade caminham sem barreiras, onde
o tempo já não escorre, e onde a vida — agora incorruptível — se levanta para
reinar para sempre.
Este é o Segundo Gênesis: o Éden restaurado, sim, mas também o Éden ampliado, elevado à sua vocação eterna. A criação, finalmente, como Deus a sonhou.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
“Os Sete Olhos do Senhor: Quando Deus Vê, Deus Age”
terça-feira, 14 de outubro de 2025
Mística da Oração
sábado, 11 de outubro de 2025
O Dia em que a Terra e o Sol Pararam.
Lembro-me de meditar sobre
Ezequias, rei de Judá, e o dia em que orou a Deus, pedindo que sua vida fosse
prolongada. A Escritura diz que o Senhor ouviu sua oração e deu um sinal: o sol
retrocedeu dez graus. Mas, ao refletir sobre isso, compreendi algo profundo: o
milagre não aconteceu no céu, nem na rotação da Terra.
A Terra gira em torno do seu eixo
numa velocidade acima de 1.600 quilômetros por hora. Além disso, a Terra se
movimenta em torno do sol numa velocidade de aproximadamente 108.000
quilômetros por hora. O sol orbita o centro da nossa galáxia a quase 900.000
quilômetros por hora. E a nossa galáxia se movimenta pelo espaço numa
velocidade de mais de 2 milhões de quilômetros por hora.
Qualquer paralização desse
sistema causaria não apenas a extinção em massa de tudo o que há na terra, mas
um colapso universal. Então sim, o texto bíblico descreve algo impossível. Se a
Terra realmente parasse de girar, ondas gigantes arrasariam continentes,
terremotos destruiriam cidades, tsunamis e maremotos devastariam as costas. Esse
fenômeno aconteceu no interior do rei Ezequias.
O sol retrocedeu no seu coração,
no tempo da sua esperança, no ritmo de sua alma. Foi ali, no íntimo, que Deus
renovou a vida e reacendeu a luz da confiança. O milagre maior não era o astro;
era o movimento da alma de um homem diante do Senhor.
E então percebi que não se
tratava de um caso isolado. Em Josué, na batalha de Gibeão, o dia prolongou-se.
Os soldados viram o sol demorando-se no céu, mas de fato, o milagre foi na
experiência deles, não no planeta inteiro. Se assim fosse, o calor concentrado
do sol parado queimaria tudo naquele local antes mesmo de todos perceberem. No
entanto, cada coração exausto, cada braço levantado, cada olhar vigilante
percebeu o tempo estendido, pois, Deus, soberano sobre os astros, não precisou
alterar o cosmos inteiro: Ele atuou naquilo que era necessário para cumprir Sua
promessa.
Lembro-me da cena do Superman,
quando ele voa contra a rotação da Terra para salvar a jornalista que amava, e
tudo volta a um tempo antes do desastre. É uma imagem cinematográfica, mas
impossível na realidade natural: é exatamente aí que percebemos a diferença do
agir divino, Deus não precisa violar as leis da criação para intervir na vida.
Ele age no tempo da vida de cada pessoa, estendendo, restaurando e
transformando os momentos que parecem perdidos.
E mesmo assim, não existe
comparação entre super-heróis e o Deus Onipotente. Enquanto os heróis da ficção
possuem poderes limitados e enfrentam o tempo e a matéria, Deus é infinito,
eterno e soberano. Ele não depende de força física ou de estratégias humanas;
Sua presença sustenta o universo, Sua palavra transforma corações e Suas mãos
guiam a história.
Podemos admirar a coragem dos
heróis, mas é Deus quem oferece proteção verdadeira, amor sem limites e justiça
perfeita.
Toda metáfora humana sobre poder
ou bravura se dobra diante da grandiosidade do Criador, que não apenas salva,
mas mantém a vida, o tempo e o próprio cosmos.
E na nossa vida, isso acontece
todos os dias: em pequenas vitórias, curas inesperadas, decisões que se
alinham, portas que se abrem, esperança que renasce.
O “sol interior” volta a brilhar
constantemente, mostrando que o Senhor do tempo e da história nunca deixa de
intervir em nosso cotidiano.
Segundo a Palavra de Deus, todos
morreram e estão separados da glória de Deus, mas ao nos voltarmos a Ele,
aceitando Seu Filho Jesus como Senhor e Salvador, nosso tempo de vida, e o
tempo de todos os cristãos, é prolongado.
O pecado transtornou todo o
universo, trazendo caos, mas Deus, Onipotente, Senhor do tempo e da história, com
Sua misericórdia em ação, silenciosa, poderosa e perfeita, pôs ordem em tudo.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Pó da Terra, Poeira das Estrelas, Imagem e Semelhança de Deus!
domingo, 14 de setembro de 2025
O Martelo de Thor e o Martelo de Deus
sexta-feira, 5 de setembro de 2025
A Cruz e o Caminho
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
A Saudade do Eterno
- Na beleza de um pôr do sol que nos faz chorar sem saber por quê.
- Na música que toca fundo, como se viesse de outro mundo.
- Na oração silenciosa que nasce sem palavras, mas com lágrimas.
- No desejo de justiça, de paz, de amor verdadeiro — coisas que este mundo não consegue sustentar por completo.












